Resumo BLAST Dia 2: A Volta do "Capitão América", a Frieza da Vitality e a Revolução Tática dos Pequenos (Análise Técnica)

O dia 2 da BLAST não foi só sobre zebras. Rafael analisa a vitória épica da Liquid sobre a NiP, o domínio da Vitality e como a "Revolução Tática" do Tier 2 está punindo os times clássicos.

1/16/2026

por@rafael_felix02

Resumo BLAST Dia 2: A Volta do "Capitão América" a Frieza da Vitality e a Revolução Tática dos Pequenos

Por Rafael | 2Fire E-Sports Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026

Eu, Rafael, passei as últimas 10 horas grudado na tela aqui em Palhoça e, se você tirar o "hype" e a emoção de lado, o que sobra é uma lição de Counter-Strike.

No meu último texto, falei muito sobre como as derrotas dos gigantes abriram caminho para o Brasil. Mas agora, com a cabeça fria e o replay rodando na segunda tela, eu quero conversar com você sobre Counter-Strike puro.

O dia de hoje, 15 de janeiro, não foi marcado apenas por "zebras". Chamar a vitória da Monte ou o sufoco da Liquid de sorte é ofender o trabalho tático que está sendo feito. O que vimos hoje na BLAST Bounty foi uma mudança de guarda no estilo de jogo.

Enquanto a NAVI tentava jogar o CS de 2025, os outros times estavam jogando o CS de 2026. E a diferença, meu amigo, é brutal. Tivemos o retorno de uma lenda para o time do coração, a confirmação de que existe um "robô" francês entre nós e uma aula de como times menores estão usando a agressividade para quebrar sistemas rígidos.

Se você quer entender o jogo a fundo — não só o placar, mas o como e o porquê —, esse resumo é para você.

A Ressurreição da Cavalaria: Team Liquid vs NiP (2-1)

Esqueça por um minuto as eliminações. O melhor jogo do dia, tecnicamente falando, foi Liquid x Ninjas in Pyjamas.

Para quem é das antigas, ver essas duas tags se enfrentando já dá um arrepio. Mas o que vimos no servidor foi a prova de que a Team Liquid acertou em cheio na reformulação.

O Fator Twistzz (O Filho Pródigo)

Muito se falou sobre a volta do Twistzz para a Liquid. Será que daria certo? Hoje tivemos a resposta. Na Inferno (Mapa Decisivo), o canadense parecia estar em 2019, na época do Intel Grand Slam.

  • O lance chave: No round 18, com a economia da Liquid quebrada, Twistzz segurou o Bomb B sozinho com uma Deagle e uma smoke. Ele não só matou dois, como ganhou tempo suficiente para o YEKINDAR rotacionar. Isso não é mira, é QI de jogo.

NiP: O Problema da "Lentidão Nórdica"

Do lado da NiP, vi um time extremamente organizado, mas previsível. O REZ joga muito, o Aleksib (ops, hampus na IGL aqui) chama bem, mas falta o elemento surpresa. No CS2 atual, com as smokes que se dissipam, jogar "padrãozinho" é pedir para tomar counter. A NiP fazia o domínio banana sempre no mesmo timing, e a Liquid puniu isso com granadas HE empilhadas. Fica o alerta para os suecos: organização sem explosão não ganha troféu em 2026.

A Anomalia Francesa: Vitality vs Virtus.pro (2-0)

Em um dia onde todo mundo sangrou, a Vitality nem sujou o uniforme. A vitória sobre a Virtus.pro (VP) foi cirúrgica, fria e calculista. E isso me diz muito sobre o estado atual do meta.

O Fim do "Jame Time"?

A VP é famosa pelo estilo lento do Jame, de guardar armas (save) e jogar no erro do adversário. Hoje ficou claro: esse estilo morreu. No MR12 (partidas curtas), você não tem tempo para deixar o relógio correr. A Vitality explorou isso impiedosamente.

  • Overpass (Mapa 1): A Vitality avançava agressivamente no mapa. Eles não deixavam a VP "pensar". Quando o Jame ia dar a call de execução, já tinha um Spinx ou um flameZ nas costas dele.

  • A Leitura do ZywOo: É chato falar dele, porque parece repetitivo. Mas o ZywOo hoje não errou. Ele terminou com 100% de KAST (rounds em que matou, assistiu, sobreviveu ou foi trocado). Num jogo caótico, ter um pilar que não treme é a diferença entre ser eliminado (como a FaZe) e ser favorito.

A Revolução Tática da Monte (A Autópsia do Jogo)

Agora, vamos falar de tática pura. Eu não quero focar na derrota da NAVI, mas sim na vitória da Monte. Como um time com 1/10 do orçamento derruba o campeão do Major?

Resposta: Controle de Espaço > Controle de Utilitário.

Antigamente, o CS era sobre quem tinha a melhor granada. Hoje, é sobre quem tem a melhor "cara de pau". A Monte venceu porque se recusou a respeitar o mapa da NAVI.

  1. A "W Gaming" Inteligente: Na Anubis, a Monte fazia avanços no meio (Mid) com três jogadores logo no começo do round. Isso é arriscado? Muito. Mas contra um time tático como a NAVI, isso destrói o plano de jogo. O IGL da NAVI não conseguia "setar" a tática porque perdia o controle do mapa em 15 segundos.

  2. O Woro2k como "Playmaker": O Woro2k não jogou de AWP passiva, ficando no fundo. Ele jogava de AWP agressiva, abrindo pixel. Isso forçou a NAVI a gastar utilitário cedo para tentar parar ele. Resultado? No fim do round, a NAVI estava "pelada" (sem granadas) e a Monte tinha tudo para o retake.

Os Velhinhos Ainda Dão Caldo: GamerLegion e Snax

Outro jogo que passou despercebido por muita gente, mas que merece destaque: GamerLegion 2 x 1 Passion UA.

Ver o Snax jogando em alto nível em 2026 aquece o coração de qualquer fã raiz (eu lembro dele na VP antiga ganhando Major). Mas o interessante aqui foi a mescla de gerações.

  • A Liderança: O Snax não tem mais a mira de 2014, mas ele tem a "manhã". Na Vertigo, ele ganhou dois rounds cruciais apenas se posicionando em lugares "estranhos" na smoke. Os jovens da Passion UA, que jogam baseados na mira e no reflexo, não checavam esses cantos "old school".

  • Lição: Mira jovem é bom, mas malandragem velha ganha jogo apertado.

Análise Técnica: O Meta das "Smokes Vazadas"

Assistindo a todos esses jogos hoje, notei um padrão técnico que você precisa começar a usar nas suas partidas (seja na GC ou no Premier).

A HE na Smoke virou a nova Flashbang. Em quase todos os rounds decisivos de Liquid e Vitality, a granada HE não foi usada para dar dano, mas para abrir visão momentânea na smoke.

  • Como funciona: O CT smoka a entrada. O TR joga a HE dentro da smoke. Por 2 segundos, a smoke "abre". Nesse intervalo, o sniper pega a kill.

  • O Impacto: Isso obrigou os times a jogarem mais recuados. Não dá mais para ficar "colado" na smoke esperando o rush, porque você pode ser visto a qualquer momento. A Monte usou isso perfeitamente contra a NAVI.

O Lado Feio: A Performance Técnica (De novo)

Eu prometi que falaria de coisas novas, mas é impossível ignorar o elefante na sala técnica. No jogo da Heroic vs Friendly Campers, tivemos três pauses técnicos por "FPS Drop". O TeSeS (da Heroic) chegou a socar a mesa num momento em que o jogo travou num spray transfer.

Isso reforça o que eu venho dizendo: o CS2 2026, com a nova engine de iluminação da Valve, está punindo hardwares mal configurados. Não é só o PC fraco; até as máquinas de torneio estão sofrendo com o cache de shaders acumulado.

Se você assistiu aos jogos hoje e sentiu vontade de jogar, faça um favor a si mesmo antes de abrir a Steam. Eu atualizei hoje a minha lista de comandos de arranque e configurações de vídeo baseada no que os pros da Liquid estão usando.

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Conclusão: A Nova Ordem Mundial?

O dia 15 de janeiro provou que a hierarquia do CS2 é feita de papel. A Liquid provou que a América do Norte ainda respira. A Vitality provou que a perfeição existe. E a Monte provou que, com coragem e tática agressiva, qualquer gigante sangra.

Para o espectador neutro (se é que existe algum), foi o melhor dia de CS em meses. Tivemos aulas de retake, de lurker e de entry fragger.

Amanhã a história continua, e se o nível técnico se mantiver assim, estamos diante da melhor BLAST de todos os tempos.

E para você, qual foi a jogada do dia? O clutch do Twistzz na B da Inferno ou o atropelo da Monte na Anubis? Me conta aqui nos comentários, quero saber se você concorda com a minha leitura do jogo!

Forte abraço, Rafael | 2Fire E-Sports